Os melhores filmes que ficaram fora do Oscar desse ano

Sempre que a Academia anuncia seus indicados ao prêmio, é a mesma coisa: todo mundo corre atrás pra ver os filmes, os blogueiros fazem suas críticas e apostas, os cinemas anunciam as estréias loucamente. Mas, todo ano também, existe uma lista de filmes que ninguém dá muita atenção: os snubs (recusados, na gíria em inglês), ou seja, filmes muito bem cotados que não foram para a premiação. Veja a seguir alguns dos bem-criticados que foram ignorados pelo prêmio mais conhecido pelo público.

O Ano Mais Violento



Estrelando Jessica Chastain (A Hora Mais Escura e Histórias Cruzadas) e Oscar Isaac (Inside Llewyn David), o filme retrata a tentativa do imigrante Abel Morales e sua esposa, Anna, de prosperar nos negócios, diante da corrupção, decadência e brutalidade em Nova York nos anos 80, em um dos invernos mais violentos da história da cidade.
Estreando nos cinemas brasileiros na próxima semana, O Ano Mais Violento tem ótimas críticas por abordar a temática do subcrime urbano de forma diferente do usual, apesar de também ter sido apontado que o filme sofre um pouco com seu ritmo. Com elogios à fotografia glamurosa e à atuação dos protagonistas, o longa rendeu a Jessica o Critics Choice Award de melhor atriz, além de vários outros prêmios em festivais.


[embed]https://www.youtube.com/watch?v=VUnmVK_WLN8[/embed]

Status no Brasil: estreia 02/04/15




O Expresso do Amanhã




Quando um experimento para impedir o aquecimento global falha, uma nova era do gelo toma conta do planeta Terra. Os únicos sobreviventes estão a bordo de uma imensa máquina chamada Snowpiercer. Lá, os mais pobres vivem em condições terríveis, enquanto a classe rica é repleta de pessoas que se comportam como reis. Até o dia em que um dos miseráveis resolve mudar o status quo, descobrindo todos os segredos deste intrincado maquinário.

Muito diferente do seu famoso Capitão América, Chris Evans entrega o tom sombrio da trama junto de seus colegas de cena, Jamie Bell e Octavia Spencer. Num drama existencial e quase surrealista, o diretor sul-coreano Boon Joon Ho assume a responsabilidade de fazer a história inteira se passar dentro de um trem, mostrando de perto os personagens e seus desafios, com visuais caricatos e violência estilizada. A beleza cinematográfica se contrapõe à escuridão da trama, com performances incríveis e um roteiro muito bem articulado.

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=x4lzz3Fvsc4[/embed]
Status no Brasil: ainda sem data de estreia

Cake: Uma Razão Para Viver




Claire Simmons (Jennifer Aniston) é uma mulher traumatizada e depressiva, que busca ajuda em um grupo para pessoas com dores crônicas. Lá, ela descobre o suicídio de um dos membros do grupo, Nina (Anna Kendrick). Claire fica obcecada pela história desta mulher, e começa a investigar a sua vida. Aos poucos, começa a desenvolver uma relação inesperada com o ex-marido de Nina, Roy (Sam Worthington).

Com destaque para a atuação muito bem criticada de Jennifer, que mudou completamente seu visual, o drama intimista mostra as lutas internas de uma mulher contra a dor e o sofrimento que a possuem. É a mais pura e feia realidade sobre a dor, e sobre como desistimos de vencê-la, sem conseguir projetar dias melhores. A empregada de Claire, Silvana, serve como apoio à chefe, sempre a apoiando em sua jornada. Após se aproximar também da família de Nina, começa a encontrar maneiras de superar seus traumas, enquanto nos faz refletir sobre as fragilidades da vida.

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=t4K31ao_bXA[/embed]
Status no Brasil: estreia 30/04/15

The Normal Heart



1981. Uma doença misteriosa se alastra pelos Estados Unidos, com alto grau de mortalidade: cerca de 50% dos infectados acabam falecendo. Como a imensa maioria é homossexual, ela logo é apelidada de "câncer gay" e, por preconceito, não recebe a devida atenção do governo norte-americano. Decidido a fazer com que as pessoas tomem conhecido sobre a epidemia causada pela AIDS, o escritor Ned Weeks (Mark Ruffalo) decide ir aos diversos veículos de comunicação para falar sobre o tema. Entretanto, a raiva contida em suas declarações assustam até mesmo seus colegas na organização não-governamental que presta auxílio aos infectados. Ao seu lado, Ned conta apenas com o apoio da médica Emma Brokner (Julia Roberts), que também está alarmada com a gravidade da situação.

Balanceando intensidade e delicadeza, mais uma vez vemos várias atuações dignas de Oscar. Abordando um assunto polêmico (na época ainda mais), a adaptação da peça teatral de mesmo nome prefere focar mais intimamente na relação de amor entre Ned e Felix, balanceada com as visões de toda uma geração sendo marginilizada. A produção honra o valor pessoal conferido ao diretor Ryan Murphy, e a atores como Matt Bomer e Jim Parsons (os três são homossexuais na vida real), sem abandonar o tom realista e democrático desse acontecimento histórico.

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=zyXbr0_oH-c[/embed]
Status no Brasil: disponível em DVD

Dear White People



Quando os alunos brancos de uma escola decidem dar uma festa temática sobre a raça negra, quatro alunos negros começam uma manifestação. Esta é uma sátira feroz ao racismo e ao pensamento politicamente correto e condescendente a respeito da diversidade racial.

Esse é talvez o filme que mais merecia ter entrado na disputa. Não só para ajudar nas estatísticas que mostraram a predominância branca na premiação, nesse ano mais que nos outros, mas também pela abordagem inovadora e refrescante da temática do racismo. O primeiro longa de Justin Simien já mostra no trailer que está livre de dois estereótipos exaustivamente usados nos poucos filmes com protagonistas negros: Dear White People não retrata tempos de escravidão, e não precisa de um homem-branco-salvador-da-pátria. A comédia traz, num tom descontraído, assuntos sérios: o racismo internalizado no dia-a-dia, a estereotipação de pessoas negras (e não só em papéis na ficção), e a acusação de racismo inverso. Pra quem não sabe, racismo inverso é quando pessoas brancas alegam que negros estão agindo de forma preconceituosa contra eles só pela cor da sua pele. É um termo sempre abordado em discussões, enquanto se discute se a prática deve sequer ser considerada existente. É claro que os votantes da Academia preferem o tradicionalismo a reconhecer o seu privilégio e dar espaço às minorias, mas nós podemos sonhar.

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=BERGcYybigE[/embed]
Status no Brasil: ainda sem data de estreia

Obvious Child



Donna Stern (Jenny Slate) é uma comediante de pouco sucesso. Após ser abandonada pelo namorado e despedida no emprego, ela acha que tudo está perdido, mas encontra Max (Jake Lacy), um rapaz gentil com quem passa uma noite. O resultado desse encontro é a gravidez inesperada de Donna. Enquanto decide como dar a notícia ao homem, chega à conclusão de que vai fazer um aborto.

Mais um exemplo onde não é difícil ver porque a Academia passou longe: tema polêmico com abordagem moderna. É uma combinação obviamente nada tradicional, clássica ou "segura". Aqui, o aborto é um assunto quase corriqueiro, inserido num ambiente bem humorado - é simplesmente um dos passos dessa história. Garota conhece garoto, transam, ela engravida... e decide abortar. Com a mente aberta, com risos, com choros, sem exageros. O tom é honesto e humilde, ponderando as circunstâncias nada ideais da gravidez e apontando para a solução mais lógica e natural. Podemos nos divertir enquanto vemos uma questão pertinente para a sociedade ser tratada, talvez, como deveria ser na vida real, sem tantos alardes, culpabilizações e estigmatizações.

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=8HpYzpr2iDA[/embed]
Status no Brasil: ainda sem data de estreia

Mommy



Canadá, 2015. Diane Després (Anne Dorval) é surpreendida com a notícia de que seu filho, Steve (Antoine-Olivier Pilon), foi expulso do reformatório onde vive por ter incendiado a cafeteria local e, com isso, provocado queimaduras de terceiro grau em um garoto. Os dois voltam a morar juntos, mas Diane enfrenta dificuldades devido à hiperatividade de Steve, que muitas vezes o torna agressivo. Os dois só conseguem encontrar um certo equilíbrio quando a vizinha Kyla (Suzanne Clément) entra na vida deles.

Com uma fotografia completamente inovadora, filmado em 1:1, o filme imagina um futuro próximo no qual uma nova lei permite que os pais de filhos com algum tipo de doença mental possam abandoná-los aos cuidados do Estado sem nenhum tipo de ônus. O relacionamento complicado mas também amoroso ente mãe e filho nas atuações exacerbadas dá um impressionante tom plástico às cenas, e Xavier Dolan consegue maestrar ainda lições de amadurecimento e educação, numa poesia impactante.

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=w_6qaYPwt7s[/embed]
Status no Brasil: disponível em DVD dia 28/04/15

Este post foi sugerido por um leitor do Janela. Você tem uma sugestão também? Conta pra gente!

Unknown

Phasellus facilisis convallis metus, ut imperdiet augue auctor nec. Duis at velit id augue lobortis porta. Sed varius, enim accumsan aliquam tincidunt, tortor urna vulputate quam, eget finibus urna est in augue.

Nenhum comentário:

Postar um comentário